sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

O que é ELETROESTIMULAÇÃO NEUROMUSCULAR? QUAL A APLICAÇÃO NA CLÍNICA FONOAUDIOLÓGICA?

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foto retirada do Google Imagens
A estimulação elétrica nervosa transcutânea, é uma técnica terapêutica utilizada na fisioterapia há mais de meio século. 

          Trata-se de um recurso não invasivo utilizado em diversos casos clínicos no combate a dor, promoção do relaxamento muscular, melhora da vascularização no local de aplicação e efeito significante sobre o quadro de fadiga e redução da hiperatividade muscular. Em casos de debilidade muscular, a estimulação elétrica pode ser usada para o aumento efetivo na força muscular e  em casos de paralisias musculares (como na paralisia facial), entre outros.
          É uma técnica não invasiva, sem efeitos sistêmicos, não causa dependência  e  nem efeitos  colaterais indesejáveis.



          Atualmente, a Fonoaudiologia tem se beneficiado desse recurso terapêutico e apresentado resultados satisfatórios, na associação desse recurso aliado à terapia convencional. Estudos realizados na área de Fonoaudiologia comprovam a eficácia do uso da eletroestimulação na melhora da qualidade vocal e da deglutição de pacientes na clínica fonoaudiológica.

           A principal função da eletroestimulação transcutânea é acelerar o processo de recuperação do  paciente  submetido  à  fonoterapia,  trabalhando  a  musculatura  em  conjunto com exercícios fonoaudiológicos.

          Sua utilização tem sido de grande auxílio, tanto em casos que necessitam de relaxamento muscular quanto aqueles em que há necessidade de contração muscular,  desempenhando  o  papel  de um neuroestimulador, favorecendo, assim, melhor estímulo muscular e  liberando  substâncias  endógenas  que podem ajudar a controlar a dor aguda e crônica, redução de edema e de espasmo muscular.

          Por   excelência,   com o   uso   terapêutico  das  correntes  elétricas,  observa-se  uma  minimização  de  atrofia por desuso, facilitação da reeducação muscular e fortalecimento muscular.
          Em casos de queixas de desconfortos  orais,  mastigatórios  e  laríngeos,  o  uso  dessa  técnica  como  coadjuvante  na  fonoterapia  de  voz  e  motricidade  oral tem gerado relaxamento, redução da  dor,  melhora  da  qualidade  vocal  e  equilíbrio  muscular,  mostrando-se  um procedimento favorável que pode possibilitar uma melhora na qualidade de vida de pacientes, reduzindo significativamente o tempo de tratamento em relação à fonoterapia tradicional.


      A estimulação elétrica é um excelente recurso terapêutico usado na reabilitação de alterações vocais de profissionais da voz (cantores, professores, locutores, dentre outros), bem como  no aprimoramento vocal. Seu uso associado às diversas técnicas fonoaudiológicas oferece inúmeros benefícios, a saber: aumento da capacidade respiratória, aumento da gama tonal e da extensão vocal, relaxamento da musculatura cervical, adequação da musculatura articulatória, estabilidade e flexibilidade vocal, redução da nasalidade e equilíbrio ressonantal, melhor condicionamento do apoio e suporte respiratório (no caso dos cantores) e equilíbrio da musculatura intrínseca e extrínseca da laringe.

          Resumidamente, os benefícios do uso da eletroestimulação transcutânea associados à fonoterapia são:
  •  Controle da dor aguda e crônica;
  •  Redução de edema;
  •  Redução de espasmo muscular;
  •  Redução de contraturas articulares;
  •  Minimização de atrofia por desuso;
  •  Facilitação da reeducação muscular;
  • Fortalecimento muscular.

          O uso da eletroestimulação transcutânea é utilizado como coadjuvante em fonoterapia nos seguintes casos: 
  • disfagia (alterações na deglutição);
  • disfonias (alterações vocais);
  • aperfeiçoamento vocal de profissionais da voz;
  • estética facial;
  • Ronco e apnéia obstrutiva do sono; 
  • Treinamento muscular de músicos instrumentistas;
  • disfunção temporomandibular (DTM);
  • alterações miofuncionais orofaciais.

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o   DISTRITO FEDERAL – BRASÍLIA – ÁGUAS CLARAS
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Fontes:
JARRUS, M. Eletroestimulação transcutânea como auxílio terapêutico na Fonoaudiologia Eletroestimulação transcutânea como auxílio terapêutico na Fonoaudiologia
SANTOS, JKO; GAMA, ACC; SILVÉRIO, KCA; OLIVEIRA, NFCD. Uso da eletroestimulação na clínica fonoaudiológica: uma revisão integrada da literatura.




APRAXIA DE FALA NA INFÂNCIA - TIRE SUAS DÚVIDAS!

APRAXIA DE FALA NA INFÂNCIA

O que é "Apraxia de Fala na Infância" (AFI) (CAS)?

          A Associação Americana de Fonoaudiologia (ASHA) recomenda o termo Apraxia de Fala na Infância para o “Distúrbio neurológico motor da fala na infância, resultante de um dé­cit na consistência e precisão dos movimentos necessários à fala, na ausência de dé­cits neuromusculares (por exemplo, reflexos anormais, tônus alterado).

          Pode ocorrer como resultado de impedimento neurológico de origem conhecida, associada a desordens neuro desenvolvimentais complexas de etiologia conhecida ou não, ou como um distúrbio neurogênico idiopático da produção dos sons da fala (sem causa de­finida).

          Na Apraxia ocorre um défi­cit no planejamento e/ou programação dos parâmetros espaço-temporais das sequências de movimentos e que resultam em erros na produção da fala e prosódia”.

 Quem pode diagnosticar a Apraxia de Fala?

          O Fonoaudiólogo capacitado e com experiência em transtornos de fala e de linguagem, incluindo os distúrbios motores de fala é o pro­fissional indicado para avaliar, diagnosticar e determinar o plano de tratamento na Apraxia de Fala na Infância.

Quais são as principais características da apraxia da fala?

  • Pobre repertório de vogais, erros com as vogais;
  • Pobre repertório de consoantes, incluindo as consideradas mais visíveis, como P e M;
  • Variabilidade de erros, presença de erros incomuns/idiossincráticos (às vezes, a transcrição da fala é um desafi­o!);
  • Os erros e dificuldade aumentam com o aumento da quantidade de sílabas das palavras;
  • Dependendo do grau de severidade, a criança pode produzir o som, sílaba ou palavra-alvo em um contexto, mas é incapaz de produzir o mesmo alvo com precisão em um contexto diferente;
  • Mais di­ficuldade nas tarefas que precisam de controle voluntário, em comparação com as realizadas de forma automática;
  • Di­ficuldade nas tarefas de diadococinesia, ou seja, para alternar com precisão a repetição das mesmas sequencias, como pa/pa/pa ou de sequencias múltiplas, como pa/ta/ka;
  • Presença de alterações prosódicas, fala acelerada ou monótona, instável, erros de acentuação, défi­cit na duração dos sons e pausas entre as sílabas;
  • Em algum momento, podem demonstrar “procura” ou “esforço” para realizar as posições articulatórias;
  • Podem também apresentar di­ficuldades na sequência de movimentos orais voluntários (apraxia oral);
  • A criança demonstra que ­fica “perdida”, não sabe como movimentar a boca. Ela tenta falar mas não consegue;
  • Os pais percebem uma discrepância entre a compreensão e a produção de fala (por ex. a criança pode compreender bem mas não conseguir produzir a fala).

A apraxia de fala pode co-ocorrer com outras condições?

          Sim, a Apraxia pode ser “pura” quando é especí­fica e não está associada a uma outra condição ou então também pode estar associada a outras condições, tais como:
  • Transtorno do Espectro Autístico (TEA)
  • Síndromes genéticas (como por ex. Síndrome de Down, Síndrome Prader_Willi), etc.
          Atenção! Os Fonoaudiólogos precisam considerar que outros transtornos que afetam a aquisição dos sons podem também compartilhar algumas características que estão nesta lista.
Um diagnóstico especí­fico e sensível é muito importante. Atenção aos diagnósticos diferenciais.

 Como proceder?

  • Procure um Fonoaudiólogo que tenha experiência com crianças, que trabalhe com desenvolvimento de fala e de linguagem, e que seja capacitado para um diagnóstico e elaboração de um plano de intervenção adequado;
  • Considerar a necessidade de acompanhamentos complementares como Terapeutas Ocupacionais, Psicomotricistas, Fisioterapeutas, Psicólogos, entre outros. Algumas crianças precisarão apenas do atendimento fonoaudiólogo e outras precisarão também de outras terapias;
  • Busque formas de comunicação complementar e/ou alternativa enquanto a criança está aprendendo a falar claramente. Precisamos encontrar uma forma de a criança se expressar enquanto a fala não se estabelece. Lembrando que estes meios não inibirão o desenvolvimento da fala da criança (esse é um receio para os pais!);
  • Os pais, familiares, amigos e professores devem buscar orientações para que haja adequado suporte às necessidades comunicativas da criança.

Qual a importância da família no processo terapêutico?

          A participação da família no processo terapêutico é fundamental. Um aspecto na intervenção é o aprendizado motor e para isso, o treino em casa é muito importante, para que haja a memorização do plano motor e consequente automatização da fala.
          Considerando que a criança passa a maior parte do seu tempo com os pais, as oportunidades para prática são multiplicadas quando os pais encorajam e participam do treino em casa. Os pais também poderão auxiliar o Fonoaudiólogo, compartilhando informações quanto à personalidade e preferências da criança, tais informações poderão ser utilizadas como motivadores terapêuticos.

 Como a família pode ajudar a criança?

  • Entenda e acolha a dificuldade da criança. Ela realmente tem uma di­ficuldade. Não é preguiça. A criança precisa se sentir acolhida e aceita;
  • A criança com Apraxia apresenta uma desorganização. Por isso, cuide do ambiente familiar, organize os brinquedos, estabeleça rotinas, limites e regras em casa. Controle a ansiedade! Não obrigue ou pressione a criança para falar;
  • Lembre-se sempre: você quer que a criança tenha atenção aos movimentos da fala e que tente imitá-los. Tente lenti­car a fala, sem perder a naturalidade. Falar demais, usando frases longas e falar rápido não ajuda;
  • Pegue objetos/brinquedos que a criança goste e ao nomeá-los, segure-os próximo a sua boca. Essa estratégia faz com que a criança direcione o olhar aos movimentos da boca;
  • Pistas visuais (movimentação de boca, língua, mandíbula) auxiliam a criança a planejar seus movimentos de fala. Converse, mostre para ela como a boca se movimenta.
  • ONDE ENCONTRAR ATENDIMENTO FONOAUDIOLÓGICO PARA APRAXIA DE FALA NA INFÂNCIA:
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FONTE: ABRAPRAXIA -  ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE APRAXIA DE FALA NA INFÂNCIA www.apraxiabrasil.org