quinta-feira, 13 de setembro de 2018

ATRASO DE LINGUAGEM - TIRE SUAS DÚVIDAS


LINGUAGEM – AQUISIÇÃO E DESENVOLVIMENTO

“É por meio da linguagem que o homem antecipa suas ações, constrói relações, transfere conhecimento e, enfim, torna-se sujeito”. (HONORA & FRIZANCO)



O primeiro passo para entender uma alteração de linguagem é saber o seu significado, entender como acontece a sua aquisição e quais as etapas de seu desenvolvimento, além de conhecer quais as estruturas anatômicas que estão envolvidas nesse processo. Através desses esclarecimentos, poderemos saber quais os motivos que podem contribuir para que uma alteração de linguagem ocorra e o que fazer para evitá-los.

1.     O QUE É A LINGUAGEM?
A linguagem é um conjunto de regras e princípios que os humanos usam para relacionar o som ao significado. É a capacidade humana de transmissão de informação, na qual o homem realiza essa tarefa usando diferentes sistemas.

2.     COMO OCORRE O PROCESSO DE AQUISIÇÃO DE LINGUAGEM?
Estudos indicam que a aquisição de linguagem se inicia nos primeiros contatos do bebê com o mundo, por meio da interação com o meio e as pessoas ao seu redor. O processo de aquisição e desenvolvimento de linguagem ocorrerá mediante os estímulos e interferências que esse ambiente tem na vida da criança.
Infelizmente, há também bebês que recebem pouco ou nenhum estímulo e que, consequentemente, poderão apresentar prejuízos no desenvolvimento de linguagem.
Podemos concluir que o processo de desenvolvimento de linguagem acontece mediante as interferências que o meio e as pessoas que estão nesse meio exercem sobre o indivíduo. Ou seja, se eu tenho um ambiente estimulador, no qual pessoas conversam com a criança, fazem-lhe perguntas, valorizam sua fala, é esperado que essa criança tenha mais facilidade no seu desenvolvimento de linguagem do que uma criança que permanece em um ambiente no qual não existe estimulação, com poucas conversas ou com a desvalorização daquilo que ela fala.
A aquisição da fala segue uma série de etapas de ordem crescente, porém pode apresentar ritmos de progressão variáveis, ou seja, é estipulado para cada idade cronológica certo desenvolvimento, no entanto, algumas interferências podem atrasar esse processo e a criança permanecer mais tempo do que o esperado na mesma fase. Também temos o contrário: crianças que nos surpreendem ao demonstrar habilidade na aquisição da linguagem.
De acordo com o processo normal do desenvolvimento, pode-se estender o prazo de aquisição quase que completa para até seis meses além do que é esperado para aquela faixa etária, sem que se considere que a criança tenha um atraso de linguagem.
Abaixo temos a tabela de desenvolvimento de linguagem proposta por LENNEBERG, descreve o que é esperado para cada etapa de desenvolvimento.  A tabela pode auxiliar pais e cuidadores no acompanhamento do desenvolvimento da linguagem da criança. Caso você tenha alguma dúvida ou suspeita de que o seu filho(a) apresenta  atraso de linguagem, procure atendimento fonoaudiológico.




TABELA DO DESENVOLVIMENTO DE LINGUAGEM - LENNEBERG
IDADE APROXIMADA
FUNÇÕES SOCIAIS E LINGUÍSTICAS BÁSICAS
LOGO APÓS O NASCIMENTO
O som da voz humana é agradável.
O choro representa a fome e o desconforto.
6 SEMANAS
Resposta à voz humana, emissão de sons de prazer e choro para chamar atenção e pedir ajuda.
2 MESES
Começa a distinguir diferentes sons de fala, apresentando características propriamente ditas, como entonação, ritmo, som, etc.
3 MESES
Direciona a cabeça para a voz quando pronunciada, emite respostas vocais à fala dos outros e começa a balbuciar ou cantarolar sons silábicos com ritmo.
4 MESES
Começa a variar o tom das vocalizações e imita sons.
6 MESES
Começa a imitar sons feitos por outras pessoas. Suas produções linguísticas lhe dão prazer.
9 MESES
Começa a transmitir significado pela entonação, usando padrões que se assemelham às entonações dos adultos.
Nessa fase, a criança vocaliza em ambientes silenciosos, ou demonstra intenção comunicativa, respondendo com balbucio às conversas começadas pelos adultos.
12 MESES
Começa a desenvolver um vocabulário. Um bebê com 12 meses de idade possui vocabulário de 5 a 10 palavras que irão dobrar nos próximos 6 meses.
Já compreende algumas palavras familiares, como mamãe, papai, nenê. Controla melhor suas vocalizações, sem tantos gritos.
18 MESES
Acontece uma generalização para alguns campos semânticos, como por exemplo: todos os animais são chamados de “au-au”.
Já compreende mais as palavras ditas pelos adultos. Consegue emitir uma frases com 2 elementos, como por exemplo: “quer tetê!”
24 MESES
O vocabulário se expande rapidamente e pode ter entre 200 e 300 palavras.
Nomeia objetos mais comuns de todos os dias e a maioria das expressões são palavras isoladas.
Existem as primeiras flexões para o uso do plural, as negações e as interrogações.
36 MESES
Possui um vocabulário de 900 a 1000 palavras.
Constrói sentenças simples com 3 a 4 palavras (sujeito e verbo), como “Pedro quer pão”.
Realiza comandos de 2 etapas, como “Pedro, pega a blusa da mamãe”.
Realiza flexões de gênero.
Começa a usar pronomes e artigos.
4 ANOS
Possui um vocabulário de mais de 1500 palavras; faz muitas perguntas e as sentenças ficam mais complexas.
A criança já se mostra criativa para fazer uso da língua que aprendeu.
Comum apresentar erros na flexão dos verbos irregulares.
Começa a fazer frases usando o tempo verbal no futuro.
5 ANOS
Normalmente, possui um vocabulário de cerca de 1500 a 2200 palavras. Discute sentimentos. Entre 5 e 7 anos, a média indica habilidade de leitura lenta, mas fluente; a escrita provavelmente também é lenta nessa fase.
Flexiona o verbo de forma correta.
6ANOS
Fala com um vocabulário de aproximadamente 2.600 palavras; compreende de 20 mil a 24 mil palavras.
12 ANOS
Possui vocabulário de mais de 50 mil palavras.
 



1.     QUAIS OS FATORES QUE PODEM INTERFERIR NA AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM?
                   I.            FATORES ORGÂNICOS: perdas auditivas congênitas; perdas auditivas pós-natais; otites de repetição; fissuras labiais, palatinas e lábio-palatinas; síndromes genéticas.
                II.            FATORES PSICOLÓGICOS E EXTERNOS: superproteção dos pais; ambiente com pouca estimulação.

2.     O QUE É ATRASO DE LINGUAGEM?
É um atraso ou uma demora maior para que a fala se torne adequada ao que é esperado para sua faixa etária.
É de suma importância a terapia fonoaudiológica, caso você suspeite que seu filho(a) apresenta atraso no desenvolvimento da linguagem.
Vale ressaltar que crianças com atraso na aquisição e no desenvolvimento da linguagem possivelmente apresentarão dificuldades na aquisição da escrita. Por esse motivo, devem ser avaliadas por um fonoaudiólogo, para que seja feita a intervenção o mais precoce possível.
3.     QUAIS AS POSSÍVEIS CAUSAS DO ATRASO DE LINGUAGEM?
·        Alterações neurológicas;
·        Transtornos do desenvolvimento (TEA, psicoses, crianças com transtornos globais do desenvolvimento);
·        Perdas auditivas congênitas ou pós-natais;
·        Deficiências intelectuais;
·        Fatores emocionais;
·        Fatores culturais.

ONDE ENCONTRAR ATENDIMENTO FONOAUDIOLÓGICO PARA CRIANÇAS COM ATRASO DE LINGUAGEM:
o   DISTRITO FEDERAL – BRASÍLIA – ÁGUAS CLARAS
Fga. Danielle Gregório – CRFa.5: 13000

Você pode agendar sua consulta pelo telefone:
(61)99660-4202
Particular e planos de saúde




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FONTE:

HONORA, M. FRIZANCO, M. Dificuldades na aquisição da língua portuguesa oral no ensino fundamental. São Paulo: Ciranda Cultural, 2012.


quinta-feira, 6 de setembro de 2018

PROCESSAMENTO AUDITIVO CENTRAL - TIRE SUAS DÚVIDAS!


PROCESSAMENTO AUDITIVO CENTRAL






·         O QUE É O PROCESSAMENTO AUDITIVO CENTRAL (PAC)?

O processamento auditivo central (PAC) é a capacidade que temos de realizar uma série de operações mentais quando recebemos um estímulo pelo sentido da audição, que vai depender da sua capacidade biológica inata e das experiências no ambiente acústico. Esse processo não acontece imediatamente no nosso nascimento. É como se tivéssemos que aprender a ouvir e essa maturação estivesse relativamente pronta, se não tivermos nenhuma alteração, por volta dos 12 ou 13 anos. Ou seja, demoramos muito tempo para aprender a ouvir.
Podemos conceituar o PAC como a eficiência e efetividade que o sistema nervoso central utiliza a informação auditiva captada pelo sistema auditivo periférico (ASHA, 2005; ZALCMAN, 2019).

·         O QUE É O TRANSTORNO DO PROCESSAMENTO AUDITIVO CENTRAL (TPAC)?

O transtorno do processamento auditivo central (TPAC) acontece quando ocorre uma falha na interpretação das informações auditivas, que pode, na grande maioria das vezes, causar nas crianças dificuldade na habilidade de leitura, dificuldade na habilidade de fala, dificuldade de compreensão e comunicação, ansiedade, baixa autoestima e dificuldades de aprendizagem.

·         QUAIS AS CARACTERÍSTICAS QUE O UM INDIVÍDUO COM TPAC PODE APRESENTAR?

Para saber se alguém apresenta dificuldades com o processamento da informação auditiva, observe se a pessoa apresenta algumas das seguintes características:

• Dificuldade de atenção
• A criança fala muitas vezes a palavra “hein” ou aparenta não ouvir o que foi falado
• Agitação excessiva
• Dificuldade de escutar em ambiente ruidoso (ex.: dificuldades para ouvir quando está em grupo)
• Parece que às vezes escuta, às vezes não
• Parece ligada a todos os sons do ambiente ( à caneta que cai, ao carro que buzina na rua, ao tic-tac do relógio, etc.)
• É esquecida
• Apresenta desorganização
• Dificuldade em entender ordens e regras
• Confunde-se ao contar um fato ou história
• Dificuldade em se expressar
• Comete muitos erros gramaticais
• Apresenta dificuldade em momentos em que o canal auditivo esteja sempre sendo usado (ex.: um ditado ou ouvir uma história)
• Apresenta muita diferença no seu desempenho quando há atividades que envolvem habilidades verbais e atividades que não envolvem habilidades verbais
• Dificuldade em entender palavras com duplo sentido
• Não entende bem as piadas
• Não consegue entender bem o que lê
• Inverte letras ao escrever (b, d, p, q) ou troca letras com sons parecidos (p / b, t/d, f/v, m/n, etc)
• Letra feia (disgrafia)
• Apresenta coordenação motora prejudicada
• Alteração de alguns sons da fala, principalmente R e L
• Alterações de fala e linguagem
• Baixo rendimento escolar

·         A QUEM DEVO PROCURAR, CASO HAJA SUSPEITA DE TRANSTORNO DO PROCESSAMENTO AUDITIVO CENTRAL (TPAC)?

Caso a pessoa apresente algumas das queixas a seguir, é prudente encaminhá-la para um otorrinolaringologista e/ou um fonoaudiólogo especializado nesta área, para que se providencie, além de uma avaliação das manifestações apresentadas, uma audiometria (exame de audição, que geralmente tem resultado normal nestes casos) e um exame específico das habilidades auditivas (avaliação do processamento auditivo central).

Descobrindo-se quais as habilidades comprometidas, é possível ajudar a desenvolvê-las ou a compensar as dificuldades que elas causam. O fonoaudiólogo pode oferecer uma terapia que incentivará a forma correta do sistema nervoso processar as informações que recebe. Ou seja, deve-se estimular o “caminho” a ser percorrido. Quanto mais frequente e diversificada a estimulação, maior será o reforço do processamento correto. Com o tempo, este “caminho” de informações pelo sistema nervoso tenderá a se formatar e estabilizar, aumentando as habilidades e competências auditivas, com direta repercussão na eficiência da aprendizagem e da comunicação.
O fonoaudiólogo é profissional da área da saúde, habilitado por Lei para avaliar, orientar, diagnosticar e reabilitar o indivíduo com transtornos do processamento auditivo central (TPAC).

A reabilitação do TPAC ocorre através do Treinamento Auditivo Acusticamente Controlado (TAAC).
O TAAC consiste numa série de tarefas acústicas programadas para estimular o sistema auditivo, de forma que ocorram mudanças positivas no comportamento auditivo do indivíduo (MUSIEK, 1998; ZALCMAN, 2019).
O objetivo do TAAC é a melhora das habilidades auditivas que estão alteradas, através de mudanças morfofisiológicas nas vias auditivas do sistema nervoso central (ZALCMAN, 2019).

·         ONDE POSSO ENCONTRAR ATENDIMENTO FONOAUDIOLÓGICO PARA OS TRANSTORNOS DO PROCESSAMENTO AUDITIVO CENTRAL (TPAC)?
Você pode encontrar atendimento em BRASÍLIA – DF:
Fonoaudióloga Danielle Gregório – CRFa 5: 13000


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Fontes:
Gielow, I. Escutação: treino auditivo para a vida. São Paulo.
Honora, M., Frizanco, M. Dificuldades na audição. São Paulo, 2012.